domingo, 21 de outubro de 2007

Nao TE AMO

Nao te amo, quero-te: o amar vem d'alma.
E eu n'alma --- tenho a calma,
A calma --- do jazigo.
Ai! nao te amo, nao.
Nao te amo, quero-te: o amor e' vida.
E a vida --- nem sentida A trago eu ja comigo.
Ai, não te amo, nao!
Ai! nao te amo, nao;
e so' te quero
De um querer bruto e fero
Que o sangue me devora,
Não chega ao coraçao.
Nao te amo.
'es bela;
e eu nao te amo, o' bela.
Quem ama a aziaga estrela
Que lhe luz na ma' hora Da sua perdiçao?
E quero-te, e não te amo, que e' forçado,
De mau feitiço azado
Este indigno furor.
Mas oh! nao te amo, nao.
E infame sou, porque te quero;
e tanto Que de mim tenho espanto,
De ti medo e terror...
Mas amar!... nao te amo, nao.




Almeida Garrett

2 comentários:

Mi&Ni disse...

ADORO!

Raquel Bernardo disse...

tb adorei, ja tinha lido isso ha uns anos :)